Varizes na gravidez são comuns?
O surgimento ou a piora das varizes durante a gravidez sempre despertou interesse. No texto original deste artigo, a Dra. Viviane Queli Alcântara lembra que as varizes estão entre as doenças mais frequentes da população e cita estimativas de cerca de 50% das pessoas no mundo, com 50 a 55% das mulheres e 40 a 50% dos homens, a depender sobretudo da faixa etária.
Quando se incluem todos os tipos, dos vasinhos mais finos às varizes mais grossas, ela relata que o problema aparece em até 70% das grávidas observadas. A diretriz brasileira de doença venosa crônica da SBACV (abre em nova aba) reforça o peso da gestação ao apontar a idade avançada e o número de gestações como fatores importantes no desenvolvimento da doença.
Duas teorias principais explicam esse aumento: a mecânica e a hormonal. Na prática, elas não competem entre si. Os dois mecanismos atuam juntos, somados ao aumento do volume de sangue e aos fatores de risco que cada mulher já trazia antes de engravidar.
Por que surgem varizes na gestação, segundo a teoria mecânica?
A teoria mecânica atribui ao crescimento do útero a dificuldade de retorno do sangue das pernas. O útero, aumentado pelo crescimento do bebê, comprime as veias localizadas no abdome, em especial a veia cava inferior, e dificulta ou impede a subida do sangue que vem dos membros inferiores.
Com a saída parcialmente bloqueada, a pressão nas veias das pernas sobe e favorece a dilatação. Esse efeito tende a crescer conforme a gestação avança e o útero aumenta, e ajuda a entender por que ficar muito tempo em pé ou deitada de barriga para cima piora o desconforto.
A compressão também explica as varizes que aparecem fora das pernas. O NHS (abre em nova aba) lembra que, na gravidez, elas podem surgir na vulva, além das pernas. Varizes vulvares que persistem depois do parto merecem investigação de varizes pélvicas.
Como os hormônios da gravidez afetam as veias?
A teoria hormonal atribui a dilatação das veias na gravidez ao aumento da progesterona e do estrogênio, os hormônios femininos. Esses hormônios sobem bastante na gestação e provocam várias alterações na parede das veias que contribuem para o surgimento das varizes, explica a Dra. Viviane Queli Alcântara.
A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (abre em nova aba) aponta os fatores hormonais da gestação, da menstruação e da menopausa como facilitadores da dilatação das veias, com destaque para a progesterona. Com a parede venosa mais relaxada, a veia se alarga e as válvulas deixam de se encostar por completo.
O efeito hormonal não depende do tamanho do útero. Por isso, segundo essa teoria, vasinhos e pequenas varizes podem aparecer ainda no início da gestação, quando a compressão mecânica é pequena.
O aumento do volume de sangue também dilata as veias?
O aumento do volume de sangue nos vasos da gestante é o terceiro fator que contribui para a dilatação das veias. A BVS explica que, na gravidez, a quantidade de sangue circulante aumenta e, com ela, o trabalho das veias, que precisam levar mais volume de volta ao coração.
Somadas, as três mudanças se reforçam: mais sangue para transportar, paredes mais relaxadas e uma saída parcialmente comprimida pelo útero. O resultado aparece como peso nas pernas, inchaço nos tornozelos no fim do dia e veias mais visíveis, sintomas descritos no artigo sobre causas e sintomas das varizes.
Quem tem mais risco de varizes na gestação?
Outros fatores de risco conhecidos se somam às alterações da gestação. Segundo a Dra. Viviane Queli Alcântara, os mais importantes são a idade, o número de gestações e a hereditariedade. A lista reúne esses e outros fatores que aumentam a chance de varizes na gravidez.
Ter um ou mais desses fatores não significa que as varizes vão aparecer, mas pede atenção extra com as pernas desde o início do pré-natal. As medidas que reduzem o impacto, como caminhar, elevar as pernas, deitar de lado e usar meia de compressão quando indicada, estão no guia sobre como prevenir varizes na gravidez.
- Histórico de varizes na família, principal fator de risco segundo a BVS.
- Idade mais avançada na gestação.
- Gestações anteriores, já que as varizes tendem a piorar a cada gravidez.
- Excesso de peso antes ou durante a gestação.
- Gestação de gêmeos ou de mais bebês.
- Trabalho que exige ficar muito tempo em pé.
As varizes da gestação desaparecem depois do parto?
A boa notícia é que a piora ou as varizes novas que surgem na gestação geralmente regridem nas primeiras 8 a 12 semanas de pós-parto, segundo a Dra. Viviane Queli Alcântara, e as pernas voltam à situação de antes da gravidez. O NHS (abre em nova aba) também informa que as varizes da gestação costumam melhorar depois do nascimento.
A regressão nem sempre é completa. Veias que já estavam doentes antes da gestação podem permanecer, e a chance de isso acontecer cresce a cada nova gravidez. Por isso a reavaliação depois do pós-parto faz sentido para quem continua com sintomas ou veias aparentes.
Durante a gravidez, o cuidado é conservador. A diretriz britânica do NICE (abre em nova aba) orienta não fazer tratamento intervencionista de varizes na gestação, salvo em situações excepcionais, e considerar a meia de compressão para aliviar o inchaço. O momento de tratar depois do parto também é discutido no artigo sobre prevenção de varizes na gravidez.
Quando a gestante deve procurar o angiologista?
Se você está gestante ou pensando em engravidar, vale ter um cuidado extra com as pernas e, se necessário, procurar um angiologista e cirurgião vascular para esclarecer dúvidas e receber as medidas preventivas adequadas para a sua saúde e a do bebê, como recomenda a Dra. Viviane Queli Alcântara.
Alguns sinais pedem atendimento no mesmo dia: inchaço repentino em uma perna só, dor na panturrilha ou na coxa, vermelhidão e calor. O NHS (abre em nova aba) inclui a gravidez e as 6 semanas depois do parto entre os períodos de maior risco de trombose venosa profunda, e falta de ar ou dor no peito são emergência. Veja os sinais de trombose venosa profunda.
A Dra. Viviane Queli Alcântara, autora do texto original, atende na Angiomaster, no térreo do Albany Medical Center, em Águas Claras. Quando o médico indica, o ecodoppler venoso é feito na própria clínica; o exame usa ultrassom, sem radiação, e pode ser realizado durante a gestação.
A clínica atende de segunda a sexta, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 12h. Para marcar consulta, use o WhatsApp ou o telefone (61) 3021-1616, e confira os convênios atendidos.
Perguntas frequentes
Varizes que surgiram na gravidez somem sozinhas?
Na maioria das vezes, sim. Segundo a Dra. Viviane Queli Alcântara, a piora costuma regredir nas primeiras 8 a 12 semanas depois do parto. Se as veias continuarem visíveis ou doloridas depois desse período, vale a reavaliação com o angiologista.
Por que surgem varizes na gestação mesmo sem histórico familiar?
Porque a gestação muda a circulação de toda mulher. O útero comprime as veias do abdome, os hormônios relaxam a parede venosa e o volume de sangue aumenta. A hereditariedade aumenta o risco, mas não é condição para as varizes aparecerem.
Varizes na gravidez fazem mal ao bebê?
Não, em geral. O NHS descreve as varizes da gestação como desconfortáveis, mas não prejudiciais. O cuidado maior é com sinais de trombose, como inchaço súbito de uma perna com dor, que pedem atendimento no mesmo dia.
Quem teve varizes na primeira gestação terá de novo?
Não necessariamente, mas o risco aumenta. O número de gestações é um dos fatores importantes para a doença venosa, segundo a diretriz da SBACV. Cuidar das pernas desde o início da nova gestação ajuda a limitar a piora.
Variz na vulva durante a gestação é normal?
É uma situação conhecida. O NHS informa que as varizes da gravidez podem aparecer na vulva e que costumam melhorar depois do parto. Se persistirem ou vierem com dor pélvica, o angiologista investiga varizes pélvicas.
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